O fim trágico do meu tio 

Hoje vou contar para vocês a trágica história do meu tio.

Fico triste de lembrar porque esse tio que me influenciou a tocar violão, ele tocava como ninguém!

Tio Marcião era o terror das minhas professoras do primário: na hora do almoço ele costumava ir tocar guitarra em um boteco que ficava bem ao lado da escola! A criançada explodia em algazarra quando ele tocava em milhões de decibéis o tema de abertura do Chapolim Colorado na guitarra só pra ouvir a molecada gritando e assoviando! As professoras ficavam indignadas!

Meu tio era um cara muito esforçado e trabalhador super motivado.

Casou com minha tia que também era muito esforçada e hiper motivado, juntos tiveram 2 filhas e passaram uns 25 anos casados.

Meu tio era muito ambicioso e diferente do meu pai, sabia que se ele insistisse em continuar sendo empregado dos outros continuaria pobre, por isso, abriu uma micro empresa de transportes, tipo uma pequena frota de fretados de kombis para transporte escolar até micro caminhões. 

E ele teve sucesso, construiu uma bela casa e conseguiu dar um ótimo padrão de vida para as filhas e esposa.

Mas tudo mudou quando surgiu o FACEBOOK.

Lá pelos seus 50 e poucos anos, meu tio já praticamente aposentado e com muita grana e patrimônio, fez uma conta no Facebook e lá, curtiu uma foto de uma novinha num biquininho bem ousado.

Me perdoa amor! A novinha não me quer mais agora que virei uma mumia paralítica cheia de dívidas no banco! Não era amor, era cilada! Cilada! Cilada! 


Foi o começo do fim amigos.

Meu tio enlouqueceu quando a novinha branquinha, cara de sapequinha e piercing no umbiguinho respondeu pra ele o convidando para ir num pagode...

Meu tio não pensou duas vezes, largou a família pra ficar com uma novinha, já velho, foi embora de casa só com a roupa do corpo e seus cartões de banco.

Tio Marcião barriga de chope tocava isso de forma espetacular!


Minha tia ficou tão desconsolada que caiu doente e após exames foi diagnosticada com uma cardiopatia.

Enquanto minha tia chorava e ia em médicos cardiologistas e psicólogos, o velho curtia a vida com sua branquelinha de 20 e poucos anos da barriguinha zerada e lembro que ele como todo bom gado, adorava exibir sua namoradinha no Facebook em fotos que parecia que fazia questão de dar closes fotográficos na danada da novinha, na virilha bem depilada, no biquinho do peito aparecendo na camiseta molhada, na boquinha sensual de designer de sugar chapeletas cogumélicas e por aí vai.


A novela preferida dos gados manginas carentões


Lembro dos parentes horrorizados comentando as fotos da linha do tempo dele: "Mas o Marcião perdeu a linha mesmo! Olha que velho safado! Nem tem vergonha de ficar mostrando esse barrigão caído e costas peludas do lado dessa menina sem juízo!", "Dessa vez passou dos limites! Olha só! O fiozinho dental dela tá mostrando metade da prejeréba dela! Dá um zoom alí olha! Olha o clitóris arrebitado ali! É rosinha!".


Enfim, meu tio passou 5 anos farreando e torrando suas economias com a vagabinha, um belo dia em plena balada o safado sofreu um AVC federal, dias depois a novinha apareceu na casa da minha tia com o velho todo torto, de fraldas na cadeira de rodas e o despejou lá igual um saco de lixo e nunca mais apareceu. Trágico.

O final foi esse: passados 2 anos que ele voltoue minha tia o acolheu, a cardiopatia e depressão a mataram e hoje, o meu tio segue na cadeira de rodas ainda todo torto, quase cego por causa do diabetes e usando fraldas dando muito trabalho para as filhas.

A novinha? Bem, pelo que fiquei sabendo, parece que foi pra Europa com outro gringo velho e decadente e deve estar farreando por lá.

Quase esqueci de falar do negócio dele: quando foi embora para o Sul se enroscar com a novinha dele, ele praticamente abandonou a empresa, entregou nas mãos de um sócio, com a parte que recebeu da venda comprou um barco desses de pesca com mini cabine e foi gastando todas suas economias de uma vida, só não pagou pensão porque minhas primas já eram maiores de idade e minha tinha já aposentada não quis nada que fosse dele, nem um centavo.

Att Gerson Ravv