Sobrenatural 
Assombrações, entidades e mitos do bairro Campo Limpo em São Paulo 

Moro aqui no bairro do Campo Limpo faz tempo, minha mãe me contava que nos anos 60 aqui era uma verdadeira selva, muito mato, árvores e bichos.

Como todos sabem, o bairro do Campo Limpo em São Paulo era uma enorme fazenda ou várias chácara grudadas entre si.

Após a morte dos donos, filhos e netos venderam a fazenda e chácara para imobiliárias que revenderam os lotes para o povo que migrava para São Paulo nos anos 60 e 70.

E como esse lugar aqui evoluiu amigos! Especificamente na região que moro, que fica mais próxima do Butantã foi a zona que mais melhorou em tudo.

Infelizmente, tivemos épocas sangrentas em que umas duas gerações foram quase que exterminadas por causa da violência e criminalidade. Mas esse tempo sombrio passou e o lugar ficou mais civilizado. 

Enfim, vou deixar registrado aqui casos sobrenaturais que fazem parte do folclore do bairro.

O Homem de Chapéu ou a Sombra de Chapéu

Muita gente que mora no bairro conta que já viu esse espectro bizarro.

Eu mesmo quando tinha 7 anos tive um encontro com essa sombra que faz a gente ficar paralisado de terror. Lembro até hoje da cena!

Eu estava no sofá da sala com meu casaquinho inglês que tinha ganhando de uma tia, meu pai estava apoiado sobre uma máquina de costura daquelas que ficam fechadas numa caixa de madeira, ele estava assinando um cheque, quando eu vi uma fumaça saindo da fechadura da porta da sala e se concentrando e tomando forma ao lado dele, fiquei apavorado quando aquela fumaça virou a sombra de um homem com chapéu que parecia olhar pra mim!

Fiquei petrificado! Tudo o que eu conseguia fazer era apertar com força o botão do meu casaquinho. Posso descrever como a sobra de um homem velho de barba, sobretudo e chapéu , um grande chapéu, era uma sombra de uma cor negra como nunca tinha visto na vida.

A visão durou alguns segundos e desapareceu no ar me libertando da paralisia e corri pra fora da sala procurando minha mãe assustado pois sabia que meu pai ficava nervoso quando era incomodado quando estava assinando cheques.

Muita gente já avistou essa sombra ou fantasma, dizem que é um dos antigos donos da Fazenda que virou o bairro do Campo Limpo.






A mulher da cola 

Esse mito parece que vem de um personagem real que perambulou pelas ruas do bairro entre os anos 80 e 90.

A mulher da cola era uma senhora parda e desgrenhada que batia às portas das casas pedindo para lavar as mãos sujas completamente cheias de cola de sapateiro ou gosma.

Ela também pedia comida e quando negavam para ela uma garrafa plástica ou bacia para ela lavar as mãos ou negavam comida, ela saia praguejando e falando palavrões para a pessoa. 

Lembro da minha mãe ter lavado as mãos dessa senhora pelo menos umas cinco vezes, minha mãe levava a mangueira aberta até as grades do portão e dava uma barra de sabão para a senhora da cola lavar a mão, certa vez ela também pediu comida e minha mãe deu um prato com arroz, feijão e carne, mas depois achamos a comida intacta nos degraus de casa, a mulher não comeu um grão e tinha desaparecido. 

Até hoje tem gente que conta assustada que foi chamada pela mulher da cola, mais de 30 anos depois dizem que ela está com a mesma aparência de 50 anos, com a mesma saia bege e camiseta branca encardida e cabelos desgrenhados, e quando pede comida não toca em um grão sequer e desaparece logo após o dono da casa entregar a comida e entrar.


Jaquison Dilevinho


Madrugadores e boêmios do bairro que costumavam ir para o Caipirão, O Mestiço e Forróbodó (três salões de dança), relatam encontros macabros com o fantasma de um rapaz chamado Jaquison que morreu de overdose de drogas no começo dos anos 90 ou 2000 em seu aniversário em plena balada após usar diversas drogas e ter uma parada cardíaca e um AVC que derreteu seu cérebro. 

Dizem que de madrugada são abordados por um rapaz muito alto, bem moreno com olhos de peixe morto, vestido como um backstreet Boys latino ou um integrante da boy band  Menudos,  ele chega junto da pessoa segurando um saquinho ou um frasquinho de lança perfume e com voz fantasmagórico pede: Ei! Segura aqui DILEVINHO pra mim amarrar meu tênis?

Daí ele estende um frasco ou saquinho que a pessoa pega e então, o pobre transeunte noturno leva um baita susto quando o fantasma se abaixa e deixa ver o topo da cabeça serrada,  sem o cérebro dentro. 

As pessoas que viram Jaquison Dilevinho dizem que após isso escutam o espectro dizer "avisa minha mãe que morri" e então some tão rápido quanto apareceu, até o saquinho e frasco que a pessoa jurava que estava segurando somem sem explicação.

Dizem que o cheiro de formol fica forte no local da aparição do fantasma do Jackson Dilevinho. 

Lobisomem invisivel 

Quem mora na periferia e quebradas do Brasil sabem o quanto a pobraiada adora encher os quintais de vira latas e cachorros de todas as raças.

Tem épocas em que a cachorrada inteira se alvoroça latindo e uivando sem parar para algo que parece correr pela rua mas que somente os olhos caninos conseguem ver.

É surreal! Você vê a cachorrada toda quieta, todos olhando pra rua apreensivos, ficam horas assim, quando de repente ouvimos o farfalhar ou corrida de algo grande pelas ruas e a cachorrada em coro passa a latir como loucos.

Geralmente o fenômeno é mais visto na quaresma, época religiosa que os mais velhos associam aos famosos lobisomens.


A Loira do banheiro da Escola Mauricio Simão 

Também fui testemunha dessa histeria pois estudava nessa escola.

Lembro ate hoje que chamaram a policia! Duas viaturas foram até a escola!

Dois moleques em estado de choque disseram que foram atacados por uma loira coberta de sangue e roupa branca, a porta do banheiro dos meninos estava inexplicavelmente trancada por dentro e nem os policiais conseguiram abrir!

E do nada a porta abriu sozinha quando os policiais estavam para arrombar.

E o mais bizarro: não tinha ninguém dentro dos banheiros e as pequenas janelas dos banheiros nem um gato passava por eles e ainda eram com grades de ferro.

O incidente foi comentando durante anos e até chamaram um padre para exorcizar o lugar .

Os dois moleques ficaram tão ruins da cabeça que tiveram que fazer acompanhamento psiquiátrico e mudaram de escola.


O Omeletão rastejante 


Esse é um fenômeno que descobri anos depois descrito em livros de doutrinas espíritas. 

Também quando criança eu Infelizmente tive dois encontros com essa coisa.

O Omeletão Rastejante é a visão de ectoplasma ou sei lá o que seja isso que tem  forma de um ovo frito gigante que paira no ar na sua frente ou passa rastejando pelo chão ou paredes do local.

Lembro que vi duas vezes esse troço, o ambiente ficou frio de repente e vi a geleca gigante rastejando ao meu encontro!

Era noite e eu estava cavando um buraco no jardim do vizinho e para minha surpresa achei uma moeda velha de contos de réis, do nada bateu um frio terrível e o bagulho apareceu descendo a parede da casa rastejando com aquele olhão no meio! 

Sai correndo gritando para os adultos virem ver "a maior lesma do mundo!", assustei todo mundo que estava assistindo o Fantástico na sala dos vizinhos kkkkkkk!

Chegaram no lugar comigo e não tinha mais nada, só um resto de gosma verda escorrendo da parede. 

Anos depois vi a mesma entidade subindo para debaixo do telhado do mesmo vizinho e junta mais o vi.

Mas muita gente no bairro jura que já viu algo semelhante que os espíritas descrevem como almas presas no mundo físico mas que não tem forças para se mostrarem como fantasmas com formas humanas.

Faculdade Anhanguera (antiga Metafil) e seus fantasmas


Para quem não sabe, a faculdade Anhanguera e terminal do Campo Limpo, nos anos 60 até os 90, era a antiga fábrica METAFIL.

Lá eram fabricados fios de eletrônicos, eletrodomésticos e acessórios. 

Dizem que os fantasmas dos antigos donos e funcionários da Metafil perambulam pelos corredores frios da faculdade de noite.

Inclusive, minha falecida mãe trabalhou na Metafil por décadas. 

Seguranças e pessoas da limpeza noturna relatam que já avistaram espectros arrastando correntes, caixas e palets pelo lugar de madrugada.

Tive um conhecido que não aguentou três meses como vigia noturno lá.

Ele conta de um fantasma de Senhor de gravata com cheiro muito forte de charuto fedido que vinha pedir pra ele ir vigiar o cafezal (que hoje é o terminal de ônibus Campo Limpo), e em seguida desaparece no ar.

E lembrando agora, minha mãe dizia que o dono da fábrica fumava charutos e após sua morte  muitos vigias e empregados do turno da noite viram seu espectro pelos corredores da fábrica.

Enfim, quero deixar documentado aqui os relatos sobre fenômenos sobrenaturais do meu bairro Campo Limpo na periferia de São Paulo.

Eu mesmo testemunhei alguns deles e não sei se foi alucinação ou ignorância infantil pois eu tinha apenas 7 anos e depos 9 anos na época. E não estou mentindo, até hoje me arrepio quando lembro do que vi. Show demais!

E você caro amigo, já viu algo sobrenatural ou não acredita nessas coisas? Conta prá gente!!!

Att Gerson Ravv