TAG - Transtorno de Ansiedade Generalizada e Pânico: minha experiência - blockchainsupertrader.com by Gerson Ravv

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10 de ago. de 2019

TAG - Transtorno de Ansiedade Generalizada e Pânico: minha experiência

Como sobrevivi ao transtorno de ansiedade generalizada e ao pânico


Olá amigos! Nos comentários do post passado, um amigo leitor peguntou sobre ansiedade e introversão, o que me lembrou da árdua batalha que travei para controlar a minha ansiedade e até quadros de pânico que tive em uma época conturbada da minha vida.

Hoje irei relembrar esses momentos terríveis e relatar como consegui melhorar e controlar os sintomas atacando os fatores agravantes e desencadeadores de crises.



TAG - Transtorno de Ansiedade Generalizada

Esse transtorno TAG, na minha opinião é TERRÍVEL! Só quem passou por crises agudas sabe o martírio que se torna fazer coisas simples como falar em público, ir num encontro, comparecer num compromisso, realizar uma meta ou tarefa agendada.

Diferente de sentir uma ansiedade normal, o TAG é como uma bola de neve gigantesca que te esmaga deixando quebrado. 

Entre os muitos sintomas que o TAG provoca, o que eu mais tinha era uma preocupação terrível com tudo, uma vigilância constante alimentada por medos de coisas que poderiam acontecer comigo em situações do dia a dia: medo de se atrapalhar na apresentação do trabalho da faculdade, medo e preocupação paralisante de tirar notas baixas no curso de Ciência da Computação, horror de ser atropelado novamente na calçada, medo de não ter um bom desempenho no trabalho, medo do olhar reprovador e ameaçador da minha mãe que pretendia me mandar para outro país entre outros medos.

Após o medo e vigilância darem uma trégua, vinha a fase do TOC que é outro transtorno associado com o TAG: ficava contando as batidas do meu coração até o número 444, monitorando a força da pulsação na veia do pescoço alternadamente do lado direito, depois do esquerdo e depois no direito num tipo de ritual mental sem lógica nenhuma! Eu cismava que se eu não fizesse essas ações eu poderia morrer, tirar nota baixa, ser demitido ou ser atropelado novamente.

Depois do TOC vinha a fase em que ocorria um super foco nos batimentos cardíacos mas um foco tão forte, tão forte que fazia eu nem prestar atenção nas aulas! E por fim, o pior de tudo ocorria: o famigerado ATAQUE DE PÂNICO.

O pânico começava com um medo mórbido de morrer, um medo terrível misturado com vergonha que fazia meu coração acelerar, minha respiração ficar ofegante e a CERTEZA de que eu estava realmente morrendo ali na sala de aula ou em qualquer local em que me dava esse pânico, durava entre 2 e 5 minutos, em seguida eu ficava coberto de suor, sentia as pernas tremerem e um alívio absurdo tomava conta de mim e durava uma hora e em seguida, o ciclo se repetia mas o ápice com pânico levava entre 4 e 5 dias para ocorrer novamente.

Meu caso: as causas dos meus sintomas => genética, ambientes, rotinas e dieta

Nessa época eu estudava Ciência da Computação de manhã, trabalhava à tarde e estava prestes a me casar pela primeira vez.

Não era fácil não amigos! Comia mal, dormia mal, trabalhava mal, estudava caindo de sono e em casa, brigas e atritos constantes com minha mãe.

Para suportar essa rotina estafante, eu me entupia de CAFÉ, barras de CHOCOLATE, coca-cola pois eu estava um trapo de tanto sono que eu sentia.

Como nunca tive interesse por bebidas alcoólicas, cigarros e drogas, eu buscava em estimulantes naturais algo que me tirasse da letargia que o cansaço e a pressão das rotinas me jogavam.

Meu trabalho era horrível, ambiente péssimo, pressão total por excelência e metas absurdas, em casa minha mãe constantemente me ameaçando me mandar para outro país sem passagem de volta pois não queria que eu me casasse e tudo que eu fazia ela desaprovava, na faculdade outra porcaria: aulas enfadonhas, professores caricatos e pilhas e pilhas de coisas para ler e escrever.

Cheguei num ponto em que além do café, chocolate e coca-cola, eu comecei à mascar grãos de cacau torrados, grãos de café torrados e por fim, pílulas de cafeina pura. Estava feita a combinação fatal para o TAG pois eu era muito propenso à ansiedade e preocupação desde pequeno:

Sono+pressão familiar+trabalho de merd@+dieta pobre+estimulantes+stress = TAG + PÂNICO

Como o médico depois me explicou: eu já nasci com essa tendência a ser ansioso e preocupado, por ter passado por ambientes e situações que estimularam essa tendência acabei por agravar essa condição e desenvolver os transtornos.


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Buscando Ajuda

Levei alguns meses para procurar ajuda, relutei muito pois pensei que sozinho conseguiria vencer novamente esses problemas: enfrentei a ansiedade aos 17 anos quando sofri um acidente, minha ansiedade que já era perceptível, ficou mais forte ainda, não me causava problemas mas incomodava, mas foi uma ansiedade que nem tinha comparação com o que enfrentei anos mais tarde, naquela época bastou ir alguma vezes conversar com o psicologo, praticar uma arte marcial e tudo se resolveu, eu não trabalhava, não estava namorando e minha mãe estava de boa comigo.

Fiquei anos convivendo com uma ansiedadezinha vadia, uma introversãozinha marota mas nada que fosse paralisante ou que afetasse minha vida e comportamento.

Mas conforme eu crescia e fazia novas atividades e estava em outros ambientes, pessoas e rotinas, a pequena bola de neve de ansiedade conforme rolava pela montanha crescia e crescia.

No dia em que resolvi buscar ajuda, tive uma crise monstra mesmo que me abalou de verdade.

Estava fazendo uma prova de Cálculo na faculdade, já tinha dias que eu estava apreensivo por causa do fim do semestre, no trampo estava quase surtando, em casa minha mãe soltou uma bomba falando que estava na dúvida se me mandava para a Europa ou VENEZUELA (isso mesmo! na época a Venezuela estava no ápice de seu desenvolvimento com a indústria do gás natural e petróleo bombando e ela tinha conhecidos lá).

Já tinha uma semana que eu estava com aqueles rituais mentais malucos do TOC e muita, mas muita ANSIEDADE mesmo.

Tentando resolver um cálculo terrível, eu senti todo aquele stress acumulado me esmagando: o medo foi crescendo, errei a contagem dos batimentos cardíacos, esqueci a sequência de monitorar a pulsação da carótida, deu um branco terrível da fórmula do cálculo e então, veio o pânico com força total, senti meu peito queimando e se contraindo, meu coração acelerou, minha respiração cortou e tive certeza: ESTOU MORRENDO NESSA PO##A DE SALA DE AULA FAZENDO ESSA PO##A DE PROVA!

No desespero, pensei em ligar para minha mãe e namorada para me despedir, peguei a prova do jeito que estava, corri até a mesa do professor, joguei a prova na mesa dele e ainda correndo sai quase batendo a porta da sala! 

No pátio da faculdade, agora coberto de suor, mais calmo por não ter morrido, peguei o celular tremendo e disquei para minha mãe: "Oi mãe. Tô ligando pra avisar que não vou trabalhar hoje, estou indo no médico, no hospital do convênio do pai." 

Só deu para ouvir: "Seu PREGUIÇOSO! Não tem o que inventar não? MORRA!" e desligou...

Arrasado, fui cabisbaixo para o médico.

De frente com o médico

No hospital, a ansiedade voltou com força: aquele lugar cheio de gente doente, crianças chorando, ambulância chegando com gente estropiada em macas (pronto-socorro), todos aqueles estímulos me torturavam, me segurei para não sair correndo dali para evitar outro ataque de pânico.

Por fim, fiquei de frente com um ótimo médico, um portuga muito gente fina que deixou eu falar, após meu longo relato, me encaminhou para psicoterapia com suspeita de TAG e pânico, na hora receitou um Diazepam oral, de cara já falou para eu cortar o café, chocolate e coca-cola e principalmente: sair do trabalho e acertar as contas com a minha mãe.  

Tomei o Diazepam no hospital mesmo na enfermaria e liguei para meus pais virem me buscar pois o remédio estava fazendo eu desacelerar e um sono pesado foi batendo.

Vencendo aos poucos: 2 anos de luta!

Fiz a psicoterapia, segui a dieta prescrita e CORTEI todos os estimulantes, fiquei dois anos sem beber café, sem chocolate, sem grãos, joguei foras as pílulas de cafeína e tomei um antidepressivo indicado para o TOC a fim de evitar o pânico também, a ansiedade consegui controlar praticando novamente musculação e Happkidô.

Por muita sorte, na segunda semana após a crise monstra, consegui entrar em outra empresa bem melhor, mais organizada e humana que a que eu estava, livre de metas, mal caratismo e com uma atividade relativamente calma em TI fiquei bem menos ansioso,

Por recomendação de uma das psicologas, levei a VELHA para algumas sessões e lá, conseguimos resolver boa parte das nossas TRETAS, deixando nosso convívio mais SUAVE.

Foram dois longos anos, mas persisti pois não queria nunca mais sentir aquela sensação horrível que senti na prova. Durante o tratamento ainda tive uma crise forte mas não tão forte quanto aquela na sala de aula, mas trocando o remédio (que dava taquicardia) o TOC sumiu junto com a ansiedade e nem sinal de pânico.

O famoso Diazepam tomei somente por uns 4 dias e só, foi mais para estabilizar meu humor e baixar a ansiedade pois a crise monstra foi forte mesmo, médicos responsáveis sabem que ele VICIA mesmo e só fazem prescrição dele em casos extremos e nunca por mais de 5 dias.

Uma dica: algo que me ajudou muito foi construir um pequeno aquário tanque e criar neles algumas espécies de peixes, plantas aquáticas e pequenos crustáceos de água doce, como consegui um trampo de meio período (o outro era de 8 à 10 horas!), tive tempo para essa atividade. É realmente relaxante ver os animais na água e o barulho do filtro cascata quando ligava.

Só tomei a medicação por 1 ano e 2 meses, evolui bem, considero que além da medicação, foram fundamentais as mudanças feitas:

*dieta livre de estimulantes

*mudar as rotinas: por sorte consegui trocar de emprego/empresa e praticar atividades físicas

*colocar os "bichos" pra fora: conversar com minha mãe juntamento com especialistas do comportamento humano, ajudou muito a melhorar nossa relação 

Enfim amigos, espero que possa ter esclarecido alguns pontos sobre essas doenças modernas que lotam os consultórios, bares e biqueiras do mundo.

Se você sofre com os mesmos transtornos, fique tranquilo! Tem como controlar a ansiedade sim a fim de evitar o pânico, o TOC por si só já é o indicador de que a pessoa pode ter outros problemas ou ser vulnerável para outros problemas mas nada que não possa ser amenizado. 

Dica de ouro: não tenha medo! O Pânico é horrível mesmo, mas SAIBA QUE VOCÊ NÃO VAI MORRER DISSO! Procure ajuda médica, não tenha vergonha, desabafe, coloque pra fora o que te faz mal, mude sua rotina, alimentação e metas, tome cuidado para não ir buscar ajuda no bar, biqueira ou seitas malucas.  

O cérebro, mente ou alma, ou seja lá no que você acredita que seja a casa do seu EU às vezes fica meio bagunçado mesmo, toda casa normal precisa de uma reforma de vez em quando, e por mais que alguns de nós nasçamos com mais tendência para a ansiedade e transtornos, mesmo assim tem como se proteger e evitar esses sintomas, busque ajuda, busque informação e seja feliz!

Att Gerson Ravv   









12 comentários:

  1. Gerson, me diga uma coisa: nessas crises de pânico voce também sentia todos ou algum dos sintomas abaixo?

    - tonturas
    - falta de ar
    - sensação de desmaio iminente
    - rosto apresentando palidez no momento de crise

    Grato se responder

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    1. Sim, só não sentia a sensação de desmaio, ás vezes sentia também movimentos involuntários em músculos próximos as costelas ou nas costas, tipo uma rigidez forte durante o pânico, também sentia um mal estar que subia para o centro do peito.

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  2. Triste relato. Ainda bem que você superou, Gerson. No meu primeiro emprego tive ansiedade bem forte, e tomei remédio. Eu sentia as veias dos braços pulsarem, sentia dor de cabeça e cheguei varias vezes a pensar que ia ter um derrame, ficava toda hora passando a mão embaixo do nariz para ver se estava saindo sangue... Terrível. Graças a Deus superei.
    Forte abraço

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    1. Não desejo nem para meu maior desafeto passar por esses transtornos Mago. Só quem viveu esse pesadelo sabe o que é! E ainda tem gente ignorante que fala que é só frescura. Que bom que vc também superou isso man! Abraço!

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  3. Muito válido seu relato, caro. Acho que vai ajudar muita gente.

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  4. Os tempos modernos estão acabando com nós. Precisamos de novas guerras, manter as pessoas ocupadas, pois é só assim que vamos parar de perder tempo criando picuinhas só para passar o tempo infernizando os outros. As pessoas se preocupariam apenas com a sobrevivência como nos tempos que não existiam essas doenças mentais. Lembre-se que a melancolia na antiguidade só existia para quem tinha uma vida boa e não fazia nada. Hoje em dia temos mais conforto que muitos reis e rainhas de antigamente, a ociosidade que trás essas merdas.

    Abraços e parabéns!

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    1. A pressão cresce em tudo que fazemos, obsessão por metas e mais metas geralmente nunca alcançadas destroem nossas mentes. O Capitalismo deu muito certo quando falamos de produtividade e evolução das finanças e tecnologias, mas quando falamos em bem estar, condições de vida razoáveis e felicidade vemos que não é bem assim, o sistema em si é ótimo mas possui ainda umas contradições bizarras.

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    2. Estou preparando um post sobre essas contradições do mundo moderno. Também é uma coisa que me faz pensar muito...

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  5. Parabéns pelo relato, ajuda a pessoas que estão passando pelo mesmo problema a procurar ajuda, eu já desabafei em meu blog, vários sintomas que você tem eu também tenho, se eu tivesse um trampo estressante com certeza já estaria morto !!! hoje em dia como está? toma remédios ainda?

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    1. Fala Stifler, estou ótimo man, nunca mais tive nenhuma recidiva (volta dos sintomas), não uso mais medicação. Meu nível de ansiedade está perto do zero e sinto que conforme envelheço ela perde a força, mudar de ambiente, voltar com atividades físicas, mudar de trampo e dieta é que me livraram desse martírio.

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  6. Nunca tinha ouvido falar do TAG
    Creio que eu sofro com essa condição desde o início da vida adulta (hoje tenho 27), pois até então eu me comportava normalmente em público.
    E a ansiedade foi piorando, e causando estrago em relacionamentos que tive, na atividade profissional além de outras oportunidades profissionais que nem busquei exercer devido a ansiedade absurda que tinha.
    Creio que a pressão familiar também possa ter contribuído em menor escala (pressão por empregos e concursos top of mind, namoradas e ficantes que não eram boa o bastante).

    Seu post foi fundamental para que eu identifica-se está condição.

    Só tenho a agradecer
    Obrigado

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  7. Muito bom
    Já me senti ansioso trabalhando em lugares bossas
    Abs

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