As incríveis inovações brasileiras no modo de pedir esmola

De vez em quando recebo no WhatsApp algum vídeo enviado por algum amigo ou parente desocupado, geralmente nesses grupos idiotas da "família", vídeos esses que mostram um cara vendendo muambas ou doces nos semáforos e depois mostrando várias notas de dois reais e sacos de moedas em cima de uma mesa...

Embaixo do vídeo a parentada toda elogiando, deslumbrados com os ganhos de uma atividade tão simples, até rolam algumas indiretas para aqueles sobrinhos preguiçosos que estão desempregados reclamando da vida ou aquele tiozão separado da mulher que vive de bicos temporários... 

O que eu penso de tudo isso? Vivemos uma tragédia financeira e cultural em nosso pobre país tropical. Não tem como uma nação crescer jogando seus filhos no comércio informal.

Toda forma de trabalho para o sustento é louvável, mas vender muamba e paçoca no farol são soluções paliativas e ineficazes para o crescimento e produção de riqueza.

Quando vejo esse tipo de vídeo, só posso pensar isso: FIM DE CARREIRA, RIP BRASIL.

Capitalistas sem Capital


Nos EUA vemos o verdadeiro empreendedorismo alinhado com as novas tecnologias e demandas atuais: criam serviços inovadores na internet, desenvolvem aplicativos que maximizam algumas atividades diárias nossa, lançam softwares incríveis e até atualizam dispositivos antigos e criam novos como os smartphones modernos.

Aqui no Brasil o que chamamos de "empreendedores" são pobres desempregados que pegaram seus últimos centavos, compraram umas muambas, água mineral ruim e doces baratos (que nem bêbado gosta) e foram à luta da subsistência.

Alguns se vestem de garçom, outros se fantasiam de personagens de TV ou cinema. Esses dias a Mulher Maravilha na terceira idade com sotaque de sergipana e o Thor com desnutrição aguda vieram me vender caramelos no semáforo. 

Tem também outros mais simples vão pra rua do jeito que acordaram, com o pé sujão mesmo, cheiro de dorme-sujo e a caixa de Trident genérico embaixo do sovaco.

Outros mais espertos e com  mais "capital" confeccionam mini panfletos com fotos dos filhos pequenos e colocam frases do tipo: "Tudo por eles." ou "Meta do dia: 12 litros de leite para o Enzo.", enfim, muita criatividade desperdiçada, muitos talentos subutilizados pois nosso país está à beira da falência: o pouco de riqueza que produz não é distribuída de forma racional e pra completar as politicas econômicas ficam a cada ano mais desastrosas.

Enfim, desejo sorte aos guerreiros dos faróis e biróscas informais, muito sucesso para vocês, vender dessa forma é bem melhor do que a mendicância aberta e descarada dos mendigos desalentados, pelo menos garante a subsistência até o país sair da lama.

Att Gerson Ravv