Vida e Morte: você consegue encarar as duas de cara limpa? - blockchainsupertrader.com by Gerson Ravv

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sexta-feira, 27 de julho de 2018

Vida e Morte: você consegue encarar as duas de cara limpa?

Nossa incapacidade de lidar com a Vida e a Morte na modernidade


Recentemente ficamos tristes com a morte de nosso grande amigo virtual o blogueiro Viver de Construção, ainda mais que ficamos sabendo que era muito jovem, não tinha filhos e estava já desfrutando da independência financeira após anos de trabalhos e planejamentos.

Esse triste acontecimento nos leva à lidar com um tema que na modernidade é muito pouco lembrado e refletido: a MORTE.

Se nem a vida conseguimos levar e encarar de boa, imagine um evento tão forte como a morte: já vi gente pirando e não voltando mais das doenças mentais após a perda de algum parente ou amigo.

A sociedade moderna esconde algo tão natural como a morte. Somos incapazes de enfrentar perdas e nem a vida como ela é conseguimos levar de boa.

Enxergo esses fenômenos assim: pra mim Vida e Morte: uma Serpente engolindo sua própria cauda, um ciclo sem fim.

O fenômeno de consumo epidêmico de drogas é reflexo dessa incapacidade de enfrentarmos a vida como ela é, diferente do que a grande mídia do entretenimento e indústria do consumo mostra, a grande verdade é que a vida é  transitória, frágil, com muitos momentos chatos, tediosos, problemas terríveis e constantes para resolver, enxugação de gelo persistente e poucos e curtos períodos de alegrias e euforia.

Esse é o mal dessa nossa modernidade em que se prega que tudo deve ser flores e badalação, seremos jovens eternamente, que basta pensar positivamente e com alegria para se ficar eternamente jovem.

Quando a realidade bate no rabo, não suportando encarar a morte, decadência e problemas que nos cercam acabamos por buscar refúgio em drogas, vícios, consumismo e outras aberrações modernas que fazer a fortuna de grandes capitalistas tradicionais e cibernéticos.

Ainda sou da época em que os velhos ou pessoas da família morriam em casa e tinha todo aquele ritual de assistir o moribundo agonizando, fazendo barulhos estranhos na cama, expelindo cheiros estranhos, mudando a cor da pele e por fim morrendo: vi meus avós e alguns vizinhos deixando a vida, minha mãe fazia questão de que eu assistisse esses eventos naturais do fim da vida.

Lembro de ver médicos vindo em casa, todos sérios examinavam o defunto e depois assinavam uns papéis (certidão de óbito) e por fim, davam os pêsames e iam embora. Depois tinha todo aquele ritual de banhar e vestir o morto, o caixão exposto em um cômodo grande da casa, cheiro de flores, choro e depois a viagem final para o cemitério, a quebra de um jarro cheio de água sobre o caixão e por fim, choros, parentes jogando alguns torrões de terra sobre o caixão e fim, vida que segue.

Minha mãe me preparou para lidar com a morte desde cedo, ela que perdeu a mãe bem cedo sabia como ninguém o que é a dor de uma perda e não queria que eu passasse o mesmo sofrimento, dúvidas e medo que ela enfrentou tão cedo, pois como ela mesma dizia, como uma criança tão nova saberia o que era a morte após perder tão cedo aquela pessoa que ela dependia para tudo?

Meu pai era mais radical: quando não estava fazendo alguma merda me levava para cemitérios, principalmente no cemitério São Luís na periferia de São Paulo: lá fazia eu olhar para os mortos, fazia eu sair procurando pelos túmulos ossos esquecidos pelos coveiros após alguma exumação (meu pai sempre foi envolvido com feitiçaria, magia negra e satanismo).




Lembro que uma vez encontrei ossos das falanges de uns dedos, um sacro infantil e uns 3 segmentos de coluna: meu pai me explicava que podiam ser usados em rituais de acordos com entidades do ego ou sei  lá que porcaria maluca, que alguns desses ossos davam para fumar as raspas e assim abrir não sei que sentidos extra sensoriais e outras imbecilidades religiosas. Anos atrás encontramos um crânio de verdade em seu baú e minha mãe fez ele pulverizar e jogar fora. D'us me livre! 

Enfim, desde cedo fui exposto à dura realidade: todos nós iremos sofrer muito e morrer em um ponto de nossas curtas existências. 

Fora que morar na periferia de São Paulo é lidar e encarar constantemente a morte: perdi a conta das vezes que vi cadáveres estirados nas vielas da quebrada, gente mutilada por facões, facas, tiros na cara, na boca, na testa, acidentes terríveis, visões que nem se comparam com as fotos e vídeos que doentes mentais ficam compartilhando nas redes sociais: ver essas cenas ao vivo é bem diferente pois sentimos a tensão no ar, os gritos, os sons do ambiente, os cheiros que os corpos mortos exalam, o cheiro de sangue no asfalto, é bem diferente.

Claro que presenciar toda essa violência real e simbólica na infância trouxeram algumas consequências mais tarde: tive síndrome do pânico e ansiedade aguda entre 17 e 21 mas procurei ajuda médica e nunca mais tive nenhuma recidiva e fiquei muito mais forte mentalmente falando: já apontaram uma arma na minha cara e apertaram o gatilho e nem me mexi: quem ficou assustado e saiu correndo foi o ladrão que não entendeu nada! Devia estar com balas velhas ou pólvora e mecanismo do arma estragadas por isso não ocorreram disparos.

Quando minha mãe morreu não  chorei, pois é, estranho não? Eu que era hiper apegado com ela apenas cuidei dos trâmites legais com  paciência e muita calma, diferente de outros parentes e amigos da família que tiveram até de ser sedados! Sim, fiquei muito triste, mas sabe quando você tem a sensação de que a pessoa cumpriu sua missão e foi na hora certa? Pois é, senti isso.  

Minha mãe me preparou para encarar tanto a vida quanto a morte.

Lembro que quando fui atropelado, no exato período em que fiquei apagado, tive sonhos estranhos e acredito que foram produzidos por causas das drogas que administraram em meu corpo combinados com a adrenalina e cortisol que o organismo produz nesses eventos traumáticos: lembro que tudo fiou escuro de repente, me vi apalpando um muro de tijolos muito alto, esses tijolos eram quentes, uma luz morta iluminava só alguns passos à minha frente, fui indo em frente e então eu olhei uns 6 passos pra frente e vejo uma mulher de vermelho de costas para mim conversando com alguém, viraram pra mim e vi essa mulher triste de vermelho e  o que parecia ser alguém vestido com roupas antigas do século 18, um tipo de casaca vermelha com botões dourados parecida com aquelas pinturas que retratam o Napoleão Bonaparte ou aquela casaca que o Jimi Hendrix usava,  mas seu rosto era nada mais que uma caveira horrível, não fiquei com medo, apenas fiquei curiosos tentando entender aquilo, desde pequeno gosto de caveiras, crânios e etc, depois só lembro de uma mão descarnada tapando meu rosto e pressionando minha cabeça contra o muro e foi então que depois de uma explosão igual a de uma pancada na cabeça acordei todo ferrado na pista sendo atendido pelo resgate. Incrível como nossa mente interpreta eventos traumáticos externos sofridos pelo corpo e traduz isso em nossos pensamentos usando nossas memórias e conhecimentos.

Aqui na periferia morre muito mais gente jovem do que gente velha, perdi muitos colegas e amigos de infância das mais diversas maneiras e situações macabras e violentas, eu mesmo quantas vezes não me vi frente a frente com a morte em forma de ladrão?

Hoje com 40 anos me considero um sobrevivente dessa selva caótica, meninos de classe média que nasceram em condomínios que tem nomes franceses não fazem ideia do inferno que é nascer e crescer na periferia de uma grande cidade neurótica como São Paulo pois só saem de casa protegidos nos carros de seus papais e mamães. Minha irmã que morava em um condomínio de luxo em outra cidade e percebendo que seus filhos estavam virando grandes bundas moles decidiu se mudar para perto da minha casa para que eles aprendam um pouco sobre a realidade, aqui hoje em dia está calmo se comparado com 20 ou 30 anos atrás mas mesmo assim não deixa de ser tenso viver aqui.

Enfim amigos, essas foram minhas reflexões sobre nossa incapacidade de encarar a vida e a morte e confesso que a vida se mostra muito mais difícil e traumática de se enfrentar do que a morte, pelo menos esse é meu ponto de vista e experiência.

Att Gerson Ravv


6 comentários:

  1. Esse lance do VDC, cara novo, chocou todo mundo, a unica certeza da vida é a morte e ponto final, o resto é mimimi, isso aqui é uma ilusão e tudo mundo se matando, sendo escravo desse sistema escroto pra ter bens e acumular, se comportam como gado de abate pra deixar tudo aqui, tudo fica pra trás familia, esposa, filhos, bens... Rodrigão amigo meu de uma banda capixaba chamada dead fish, numa musica chamada sonho médio mandou a pala real na letra, sempre que ouço me faz ver como a sociedade doente e bizarra realmente é:

    Sonho Médio
    Dead Fish

    Amanheceu mais uma vez
    É hora de acordar para vencer
    E ter o que falar, alguém para mandar
    Uma vida pra ordenar, poder acumular
    E ai então viver. Viver e prosperar
    Mais nada a pensar. Me myself and I
    E assim permanecer. Credicard, status quo
    É tudo que penso ser, ilusão é questionar

    O sonho médio vai, vai te conquistar
    E todo dia iremos juntos ao shopping pra gastar

    Ter e sempre acreditar. Princípio, meio e fim
    A hipocrisia vai vencer, vou sorrir pra você
    Será uma festa em meio ao caos e as pessoas feias pagarão
    Pois somos os eleitos, pelo menos achamos ser
    Nossa raça é superior, mas vou fingir ser daquela cor
    Roberto Campos é o nosso gurú
    E para sempre seremos liberais pra trabalhar, pra viver!
    Não importa se meus filhos não terão educação
    Eles tem é que ter dinheiro e visual

    O sonho médio vai, vai te conquistar
    Mentalidade de plástico e uma imagem a zelar

    https://www.youtube.com/watch?v=ffCD8ns7dW4

    Coloquem em suas cabeças chimpas, a vida do planeta terra é ilusão e não passamos de meros personagens.
    Sem mais!

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    1. Pois é man, quanto mais eu vivo mas percebo que a vida moderna se tornou apenas um punhado de relações financeiras,troca de tempo por dinheiro e troca de dinheiro por ilusões que amenizam nossa escravidão diária nessa estrutura criada para manter o poder e abundância concentrados nas mãos de uma minoria que não se importa em exterminar 98% da população apenas para manter seus privilégios.

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  2. Tenso seu depoimento.
    Um bom sacode de realidade.💪

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  3. Tudo que você narrou me lembrou o livro do eclesiastes da biblia, um livro muito sabio na minha opinião sobre as vaidades da vida e reflexões sinistras sobre a morte, eu acompanhava o blog dele tambem não da pra entender como um cara novo morre assim do nada enquanto tem tanta gente ruim no mundo ou que faz peso na terra desnecessario como esses politicos imundos vivendo muito, nunca vou entender isso, eu acho que encarar a vida e a morte de cara limpa é o de menos o que não da pra entender é como tem gente boa, honesta, batalhadora morrendo aos montes enquanto os "impios" prosperam, de que adianta cuidar-se financeiramente, cuidar da saude, estudar e ser alguem honesto que trabalha dignamente se a injustiça da morte prematura pode acarretar tais pessoas enquanto gente ruim ta ai de boa é foda, desculpe o desabafo mas precisava desabafar essa visao injusta que tenho da vida

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    1. Enquanto escrevia esse texto lembrava constantemente do livro do Eclesiastes man! Esse livro e o de Jó são os meus preferidos. Infelizmente prevejo que muita gente nessa faixa de idade vai morrer nos próximos anos, o nosso atual estilo de vida é massacrante man, trabalhamos demais e apesar de que somos mil vezes mais produtivos que nossos pais e avós mesmo assim enfrentamos um nível de stress absurdo nunca antes enfrentado pelas gerações anteriores, até se exercitar ficou perigoso: o corpo cheio de cortisol e stress fica fragilizado com o passar dos anos e por exemplo, fazer treinos pesados ou intensos de atividades físicas nos fins de semana acabam por fazer mais mal do que bem. Isso sem contar que o ar, comida e água que consumimos estão podres. Triste né? Deveríamos trabalhar menos e viver mais.

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  4. É Gerson. Por mais que sempre tenha o risco de traumatizar a criança acho que uma criação mais aberta e honesta que ensine as crianças as verdades da vida faz muito mais bem do que essa criação superprotetora de hoje em dia.

    É preciso ensinar os filhos sobre questões como morte, sexualidade, economia, e que o mundo não é justo e é perigoso. Tenho pena dessa nova geração criada na base da superproteção na qual os pais evitam ao máximo discutir esses assuntos desagradáveis porque descobrir as coisas por conta própria no mundão ai fora é muito pior.

    Mesmo com a minha criação realista ainda cai em alguns contos de fadas igual esse de amor romântico verdadeiro e de que basta fazer aquilo que gosta para ser feliz e bem sucedido na sociedade atual. kkkkk Imagina os coitados de hoje.

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Comentários liberados, porém, se exagerar e postar discursos de ódio, preconceitos e spam vai levar bam! Att Gerson Ravv

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