sábado, 7 de abril de 2018

Tecnologias disruptivas e exploração humana em seu grau mais predatório

A balela de que tecnologias disruptivas estão revolucionando o mundo do trabalho e as relações entre empresas e trabalhadores

Hoje assisti um vídeo no YouTube de um rapaz choramingando que o YouTube tinha alterado suas políticas novamente e ele agora está recebendo centavos por 6 anos de conteúdo que ele produziu e disponibilizou no YouTube...

Meus amigos! Não sejam ingênuos! Empresas de tecnologia que adotam tecnologias disruptivas querem apenas devorar trabalho humano de alta qualidade e otimizado e em troca dar apenas centavos.

Tenho um exemplo em minha família: meu primo largou tudo: emprego, faculdade e mulher pra ficar horas produzindo videozinhos no YouTube sonhando em viver disso...

O doido pegou anos de FGTS e economias dele e da esposa (por isso ela acabou largando ele), e passou a se dedicar a fazer reportagens chulés filmadas em seu canal do YouTube com uns 50 mil inscritos...

No começo ele ficou deslumbrado com ganhos de R$350,00 que vinha obtendo com as visualizações e os valores somente aumentavam conforme os inscritos subiam, mas conforme o tempo foi passando, ele percebeu como era uma tarefa inglória e pesada todo dia ter que ficar produzindo conteúdo que chamasse a atenção da massa louca por novidades e bizarrices e de tempo em tempo o You Tube mudava tudo e seus ganhos que eram na casa dos milhares caiu para a casa dos centavos..

Ele abre reclamações no YouTube e... ninguém está nem aê para ele!
O pobre coitado agora está afundado em dívidas com nosso amigo UBER...

Já pensou se eu fizesse o mesmo: largaria meu emprego, pegaria os valores dos aluguéis que recebo e me trancasse em casa para fazer videozinhos com a ideia maluca de viver somente disso e num belo dia, o dono da tecnologia que uso mudasse as regras e parasse de pagar? 


Geração tosca dos anos 2000 entendam isso de uma vez:

Grandes empresas de tecnologia que adotam tecnologias disruptivas somente querem devorar trabalho humano de alta qualidade e otimizado e dar em troca centavos para você, bobão iludido que pensa que por não ter vínculos empregatícios regulados por uma entidade oficial está desfrutando de uma liberdade sem limites! 

Apesar da "tecnologia disruptiva" os interesses de uma empresa sempre se resumem em ganhar dinheiro e se para isso for necessário precarizar sua vida e implantar políticas e práticas absurdas, com certeza ela vai fazer isso e não está nem aê para você. 

Se não há vínculo formal fiscalizado por algum órgão oficial, não há como se defender do apetite predatório da empresa e de suas políticas loucas.

Olha ai você produzindo riqueza em uma empresa que usa tecnologia disruptiva! Super legal ser livre de amarras burocráticas que fiscalizam as relações entre empresa e empregado!


Se uma empresa que te emprega no regime CLT decide que agora você vai trabalhar pelado e dar o rabo para o gestor todo dia e em troca reduzir seu salário mensal para alguns centavos e uma paçoca, você tem como se defender pois há entidades oficiais que regulam os vínculos entre patrão e empregador. 

Na maioria dos casos, vemos que as tecnologias disruptivas são usadas como migué para precarizar as relações entre produtores de riqueza e contratadores de produtores de riquezas. Simples assim. 

O mundo de antigamente e de hoje meus amigos, se resume em dois tipos de pessoas: os que podem contratar produtores de riqueza (trabalho) e os vendedores/produtores de trabalho (riqueza). 

O que me espanta é a ingenuidade dessa geração que nasceu entre 1998 e 2005 que  perderam o senso critico de analisar as situações e o mundo em que vivem e aceitam qualquer mentira que contam por ai. Por isso vemos gente virando noites em empresas sem receber horas extras mas que adoram trabalhar lá porque "tem liberdade" pois não tem vínculo empregatício com a empresa e lá pode jogar video game e usar bermuda com chinelão sem problemas...

E você? Também já pensou em largar seu emprego formal e ir viver como prestador de serviço livre que ganha milhões de reais por mês em uma empresa modernosa que usa alguma tecnologia disruptiva?

Att Gerson Ravv



23 comentários:

  1. Bem útil e resumida a história. Mas muito esclarecedora...
    É oq falo sobre os "libertários"... que vivembfalando de livre mercado e livre negociação. Isso não existe!!
    Abraço

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    1. Aqui no Brasil não temos tradição e cultura que permite um livre mercado saudável. Nossa mentalidade ainda tem resquícios culturais de traficantes de escravos, senhores de engenho e coronéis.

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    2. A cultura brasileira é muito Casa Grande e Senzala ainda.

      Livre mercado aqui significaria trabalhar feito um animal e receber miséria. Menos ainda do que se recebe hoje.

      EUA, Canadá, Inglaterra entre outros são países com culturas diferentes da nossa e infinitamente mais civilizados do que esse piscinão de bosta em que vivemos. Nessa cultura de malandragem que estamos, onde as pessoas passam mais tempo pensando em como vão passar a perna no próximo do que efetivamente melhorar suas vidas isso seria mais um prato cheio para malandros, oportunistas e falastrões.

      Eu concordo que o estado é gigante e caberia diminui-lo. Mas esculhambar tudo de uma vez seria catastrófico.

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  2. Gerson essa questão de emprego, mercado de trabalho, liberdade é muito ampla.
    Mesmo em muitas carreiras formais e tradicionais vem ocorrendo o que você citou, um achatamento da média salarial, gente com curso superior, cursos complementares, pós e o cacete A4 ganhando 2K dependendo da profissão, do local onde mora e da empresa.
    Não precisa nem dizer que o cara tá fodido pra conquistar algo palpável na vida desse jeito.

    Hoje além disso vejo um discurso filosófico e ingênuo e/ou mal intencionado ganhando força.
    O do empreender por amor, paixão, tesão ou seja o que for, só não pode ser por dinheiro.
    Lógico que é bacana gostar do que se trabalha, mas dinheiro não pode ser considerado apenas um detalhe, principalmente tratando-se de empreendedorismo. Não faz o menor sentido.
    Mas essa ideologia faz muitas pessoas se contentarem com salário mais baixos do que deveriam ganhar ou com empreendedorismo de retorno baixo a longuíssimo prazo, pois afinal de contas o que importa é ser feliz.
    Mas na contramão disso os custos de vida não caem. No Brasil tudo o que foge do básico é caro: carros, imóveis, eletrônicos, alimentos integrais e/ou orgânicos, equipamentos de informática, combustíveis etc etc.

    Aí a conta nunca fecha. No caso dos jovens, não vejo com muita surpresa já que isso é fruto do mundo no qual eles estão crescendo.

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    1. O problema man, é que essas empresas como YouTube e Uber por exemplo, dão a falsa impressão de que o sujeito que aceita os termos deles são como autônomos PJ, mas se vc analisar percebe que é uma relação injusta pois os termos da empresa não é discutido entre as partes como um autônomo PJ costuma fazer antes de prestar serviço remunerado. Para mudar os termos do contrato as duas partes tem que concordar antes. Já inagimag vc como PJ tem um acordo para receber 25 k por um serviço que será prestado em 30 dias e depois de 15 dias a empresa muda o contrato e fala que vai pagar somente 600 reais e que o contrato será de 60 dias? Então, é isso que empresas que usam tecnologias disruptivas fazem.

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  3. O que você acha do fato de nos EUA não haver quase nenhuma lei trabalhista e não vermos pessoas tentando fugir para a proteção das leis trabalhistas brasileiras?

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    1. Não tem como comparar EUA com Brasil: outra mentalidade, outros costumes referente ao trabalho e remuneração. Aqui no Brasil se extinguir as leis trabalhistas veremos carne humana sendo vendida nos açougues.

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  4. Às vezes tenho a impressão que você está amadurecendo, mas de repente vem um post como esse...

    Então seu conhecido larga tudo, soca toda grana dele e da namorada numa aposta e o problema é a empresa de tecnologia?

    Nenhuma culpa do rapaz?!

    Larga esta mentalidade vitimista e amadureca de vez.

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    1. Vc leu que o cara ganhava na casa do milhar e o YouTube mudando as regras ele passou a ganhar centavos por alguns vídeos e em outros nada?

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    2. Eu li.

      E saiba você que seu conhecido deveria ter lido os termos e condições que o Youtube faz o cara ler e assinar para ficar ciente.

      O resto é vitismo.

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    3. Anon 07:59/09:46, eu concordo com você que o cara do post falhou ao fazer a escolha que fez, acreditando que aquela realidade duraria por muito tempo.

      Na realidade qualquer dessas novas tecnologias ou novos investimentos virtuais devem ser vistos com muita cautela.
      Mas no meu ponto de vista pra além dessa questão, vejo um deterioramento do mercado de trabalho no quesito dinheiro e cultura laboral.

      A maioria das profissões de ensino superior vão gradativamente perdendo valor e as pessoas vão engolindo isso e achando que fazer hora extra, aguentar ambientes de trabalho tóxicos entre outras merdas é um grande negócio, visto que em tese é melhor passar por isso a estar desempregado.

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  5. Acredito que os jovens de hoje em dia não trabalham por dinheiro. Bizarro né? Trabalham pelo status / ideologia.
    Exemplo: Se tivessem que escolher entre um trabalho na fábrica( 44h semanais, recebendo R$ 2000,00 mais benefícios) e trabalhar para uma "tecnologia" (trabalhar 60h por semana como UBER / YOUTUBE, contando não só o tempo de gravação, mas também de pesquisa e edição, para também receber R$2000,00), com certeza escolheriam a tecnologia.
    E como você disse, eles mesmo se enganam, tenho muito colegas que trabalham no UBER se vangloriando por "não andar a pé".

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    1. Realmente, e quando a idade pesa e as responsabilidades aumentam, finalmente sentem no bolso e no rabo que perderam tempo, dinheiro e saúde e não possuem nenhum patrimônio.

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  6. Trabalhar fazendo vídeos para Youtube é obviamente assumir um risco demasiado alto. Ainda que haja gente ganhando milhões com isso, é muita ingenuidade acreditar que isso pode ser uma opção de vida.

    Quem ganha dinheiro com isso são nada mais que idiotas que tem um "talento" para chamar a atenção de outros idiotas fazendo o que eles mais sabem fazer na vida: idiotices. Não deixa de ser um lance de sorte já que quando eles começaram jamais imaginariam que viveriam disso.

    "Por isso vemos gente virando noites em empresas sem receber horas extras mas que adoram trabalhar lá porque "tem liberdade" pois não tem vínculo empregatício com a empresa e lá pode jogar video game e usar bermuda com chinelão sem problemas..."

    Cultura ridícula de startup. Pior são as empresas que anunciam tais benefícios em vagas de emprego. Videogame, gaveta de doces, horário "flexível", happy hour, sem dress code...etc. Salário? Hoje ninguém trabalha mais por dinheiro né?

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    1. Esses dias um sobrinho meu veio todo feliz me contar que decidiu ser YouTuber e vai conecom a produzir vídeos de games do Xbox... eu quase mandei ele ir se lascar, so não mandei porque sei que é coisa de criança mesmo.

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  7. Ai Gerson, incrível como alguns chimpas são empalados e esfolados pelo sistema, e ainda o defendem com inúmeras justificativas. Ovelhas retardadas!
    Enquanto tiver cavalo,São Jorge não anda a pé!

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    1. Quando ficam velhos e ferrados e sem patrimônio, finalmente tomam um choque de realidade no rabo e acordam pra vida.

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  8. Nada contra as tecnologias disruptivas, mas tudo contra quem utiliza delas para precarizar as relações de trabalho impondo termos que somente um lado elabora e o outro tem que aceitar ou largar.

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    1. Na boa, você tá parecendo militante do PSOL falando desse jeito.

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  9. Meu cunhado se fudeu com o Uber. O imbecil alugou um carrão mas mais gasta do que ganha com essa merda

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  10. Efetuei algumas alterações no DNS e levou um tempinho para atualizar. Depois de ficar algumas hora fora do ar o blog voltou!

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  11. A area de T.I ainda é promissora? estou me graduando na area de Tecnologo em redes de computadores nunca trabalhei com T.I em minha vida tenho 23 anos, será que eles aceitam quem não tem experiencia?

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    1. Sim, desde que vc tenha certificações importantes após a graduação e adquira soft e hards skills. Prepare-se para engolir muitos sapos ao ter que lidar com usuários e clientes indesejáveis pois hoje as empresas idiotas insistem nessa asneira de expor o especialista em TI em contato direto com leigos idiotas e carentes de atenção e afetividade.

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Tá tudo liberado por tempo limitado. Aproveite! Volte sempre! Somos amigos! Att Gerson Rav