Meu Livro e minha HQ: dois fiascos colossais... - blockchainsupertrader.com by Gerson Ravv

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domingo, 6 de novembro de 2016

Meu Livro e minha HQ: dois fiascos colossais...

Boa tarde amigos leitores! Conforme eu havia prometido, hoje vou contar sobre minha tentativa de viver "da minha arte"  arriscando meu pouco dinheiro e reputação perante meus parentes no lançamento de um livro e de uma HQ que foram um fiasco em vendas...

Apesar das dificuldades financeiras que me acompanharam desde o berço, eu sempre tentei melhorar minha situação pessoal e financeira, sempre buscando conhecimento em livros, cursos baratos, palestras gratuitas e mantendo contatos com pessoas que obtiveram um mínimo de sucesso em suas empreitadas.

Foi numa palestra na biblioteca municipal do bairro que aprendi sobre diagramação e criação de fanzines que tomei gosto pela "arte" de criar textos, personagens e jornalzinhos.

Desde criança adorava desenhar e até os 16 anos eu "publicava" juntamente com minha irmã alguns fanzines que misturavam histórias em quadrinhos e notícias do bairro, saca só os nomes: "The small drunk!" e o jornaleco de fofocas e intrigas "Pintou Sujeira!", minha irmã e eu no inicio usamos uma máquina de escrever e depois, um computador com Windows 95 com uma multifuncional Lexmark caindo os pedaços para produzir e reproduzir os tai fanzines.

Era uma diversão: com muito custo conseguíamos os materiais para fazer "nossa arte", após as aulas íamos desenhar, diagramar e digitar os textos, depois saiamos pelo bairro tentando vender.

Quase ninguém comprava, a maior parte era trocada por mais folhas de sulfite e doces do que vendidas, mas era uma diversão: a molecada adorava ver as caricaturas bizarras que a gente desenhava retratando os moradores mais comédias do bairro, inclusive lembro que no exemplar do "The small drunk!" em que cobrimos a saga de um pedófilo do bairro fez muito sucesso e vendemos muitos fanzines. Tive o gostinho de me sentir como um editor de revistas e jornais...

Até tentamos conseguir uns patrocinadores que quisessem anunciar seus comércios em nossas páginas mas nenhum adulto daquele tempo levava à serio duas crianças, ainda mais num bairro chulé e atrasado como o nosso.

"Somente os filhos da elite ainda sabem para que servem esses objetos, deixem a massa perder tempo com conteúdo gratuito de lixo digital e entretenimento barato. O conhecimento genuíno não é de graça e não está fora dos livros."


Bom, o tempo passou, surgiram novas responsabilidades e a brincadeira de criança de ser editor de jornal foi deixada de lado, minha irmã seguiu a vida dela e eu a minha.

Depois de anos, eu estava trabalhando e recebendo muito pouco, estava quase entrando em depressão, sem vontade de nada, apenas ia de casa para o trampo e do trampo para casa, parecia que minha vida não tinha mais sentido, estava perdendo a graça de viver.

Num domingo de folga (nessa época eu trampava de segunda à sábado) resolvi arrumar meu quarto, foi quando ao mexer numa pilha de papéis que desabou em minha cabeça, me caiu nas mãos um empoeirado exemplar do meu jornaleco infanto-juvenil o "Pintou Sujeira", ao bater os olhos na capa aonde eu tinha desenhado um tiozinho do bairro que causava muita confusão quando bebia cachaça e ao ler a matéria de capa: "Titio Jamilton enche a cara e sai pelas ruas do bairro com o pau na mão!", um turbilhão de emoções e lembranças trouxeram novamente uma visão colorida sobre a vida.  

Eu pensei na hora: "Agora tenho recursos para fazer algo parecido, mas dessa vez mais profissional!".

O sonho de criança de criar e vender voltou com força total!

E lá fui eu pesquisar sobre registro de obras, preço cobrado por gráficas e demais assuntos pertinentes à publicação de um livro ou revista.   
                  
Gastei mais dois anos até o lançamento de um livro e de uma revista em quadrinhos. Reuni os textos que eu escolhi e levei para uma professora revisar e corrigir os erros, já a revista em quadrinhos gastei mais dinheiro para registrar os personagens do que com a revisão dos roteiros, como nessa época eu quase não tinha tempo para nada, tive de pagar um desenhista para que ele desenvolvesse a arte sobre meus roteiros.

A professora eu já conhecia e o desenhista conheci numa rede social numa página de freelas. O cara conseguiu reproduzir com perfeição meus traços e gostei muito do trabalho dele.

Sobre o quê era o livro? Era nessa mesma linha do meu blog, produzi textos questionando alguns estilo de vida, a modernidade, alguns contos e sátiras no estilo Revista Mad sobre empregos ruins, politica e subempregos mal remunerados. Ambos os trabalhos refletiam minha vida na época e meus questionamentos sobre nossas vidas nesse país lerdo que é o Brasil.  

Já na HQ eu criei alguns personagens que viviam num mundo distópico, as tramas se passam numa época em que hábitos que hoje nós consideramos normais, são completamente proibidos e passíveis de pena de morte. Um mundo completamente dominado por regras definidas por máquinas e algoritmos com vida própria.

Lembrando que na época a Internet não era muito acessível, YouTube e Blogger praticamente eram ilustres desconhecidos de 97% da população brasileira.

Trabalhei um ano para poder cobrir as despesas com a gráfica, registro do livro, da revista e dos personagens, ou seja, muita ralação. 
      

O FIASCO

Claro que quando a gente cria alguma coisa nesse mundo, vamos querer que esse algo criado seja reconhecido como algo de valor, que as pessoas gostem, que elas queiram comprar.

Eu queria pelo menos ter o retorno do que gastei, mas o mais gratificante na época lembro que foi o PROCESSO todo de criar, chamar outras pessoas para participar, negociar com a gráfica e procurar os lugares quentes para divulgar o trabalho.

Após muito trabalho consegui um lugar numa feira de livros que ia ocorrer num lugar "nobre" de SP, juntamente com mais dois caras independentes rachamos a conta de um espaço ou estande nessa feira para divulgar e vender nossos trabalhos nos 3 dias dessa feira. Ficou muito barato o aluguel do estande pois foi dividido entre 3 pessoas.

No dia da feira estava lá eu todo empolgado com meus livros e revistas brilhando com cheiro de novo e... foi aquele FIASCO COLOSSAL.

Não tinha como competir com os outros estandes da feira: todo mundo só queira saber dos famosos livros gringos traduzidos que eram a "onda do momento"...

Isso sem citar que o BOOM do momento também eram os livros de AUTO-AJUDA escritos por espíritas famosos e aqueles livros chulézentos água com açúcar do Paulo Cúelho.   

Até participei da apresentação de novos autores pegando no microfone e falando algumas palavras de apresentação dos meus trabalhos mas poucas pessoas prestaram atenção: tinha uma mulher vestida de algum personagem de livro gringo, ela estava distribuindo doces...

Nos dois primeiros dias não vendi nada, nem um livro ou revista sequer, somente no terceiro dia é que consegui vender 3 livros e 4 revistas. Os caras que estavam comigo vendendo seus livros também tiveram um péssimo resultado.

Depois, até tentei publicar meus quadrinhos e textos em revistas, jornais e sites: sequer respondiam de volta, ignoravam por completo minhas propostas.

Levei uns 8 anos para vender quase todos os exemplares, hoje guardo alguns de recordação, mas o que importa é que tenho o direito sobre os personagens e textos, vai que um dia eu resolva publicar de novo ou alguém ache interessante e queira usar...

Fica a reflexão: fiz algo que eu gostava, tentei, arrisquei mas não consegui sucesso e reconhecimento, não invejando mas vejam só, se você nasce filho de alguém que é famoso, que tem influência  e é poderoso você vai ter sucesso em tudo o que você empreender, à despeito da qualidade da sua criação (vejam os filhos de artistas brasileiros por exemplo), agora se você é um completo desconhecido, filho de desconhecidos, vai ter de RALAR MUITO, vai ter que persistir e quase se autodestruir em busca do sucesso e reconhecimento, quando muito, vai aparecer no programa chulé do GERALDO LUÍS pagando de FRACASSADO pra ganhar um banho de loja e um ano de cesta básica... Desisti porquê tenho mais o que fazer e nesse país maluco quem é que liga, quem é que consome obras e textos que levam ao questionamento da realidade deprimente em que sobrevivemos?

Uma prova disso: canais do YouTube com mais inscritos são aqueles de gente comendo amoebas, enfiando a bunda num formigueiro, congelando partes do corpo com aerosol, pregando pregos na palma da mão, cortando placa do YouTube, agora vai procurar um vídeo-documentário caseiro sério e bem feito sobre ALAN TURING e sua máquina para ver se você encontra algo de qualidade produzido por brasileiros: NÃO ENCONTRA, vai encontrar somente em canais produzidos por chilenos, russos, chineses e até jordanianos.   

Talvez um dia eu ataque de funkeiro, piadista ou escreva um livro mágico que revela a prosperidade em 5 peidos... pois é só isso que faz sucesso e atrai a massa nesse nosso país caricato.

Att Gerson Rav 

           

      


    
       

        


19 comentários:

  1. Quando vc atacar um funkeiro, não esqueça de filmar e por no youtube. Vai ficar rico!

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  2. "O mercado exige preços mais baixos dos seus produtos e também dos seus profissionais. Isso cria um desequilíbrio evidente entre patrões e empregados".

    http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?UserActiveTemplate=site&infoid=43786&sid=46

    Vamos acabar trabalhando de graça....

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  3. Fala Gerson!

    O mais importante é: Você tentou.

    Eu também já fracassei em alguns projetos, mas uma coisa ninguém nunca vai te tirar: A experiência obtida para executar a sua ideia, e isto também impede que você fique martelando isto na sua mente sempre "por que não arrisquei? Por que não fiz"?

    Já tentei ser integrante de banda de rock famosa, não deu em nada, e sobraram os CDs rsrs.

    Abraço

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    1. Isso mesmo man, tentar é preciso, melhor fracassar do que passar o tempo e a gente ficar se perguntando se daria certo aquilo que a gente queria fazer.

      Sei que muita gente que lê meus textos pensa que estou mentindo: a grande verdade é que sempre procurei melhorar, sempre pensei em mudar algo em mim e ao meu redor, talvez por eu ter revelado que nasci pobre e na periferia muito dos leitores aqui que com certeza são rapazes jovens da classe média para cima tem na mente uma imagem de que todo mundo da periferia é um toscão de boné de aba reta que cospe gírias e paga de bandidão, um sem futuro fadado ao crime ou subemprego casado com uma mulher fazendo filhos sem poder criar: eu NUNCA aceitei esse destino pra mim, por isso me envolvi e me envolvo em projetos e situações que parecem mentira. Abraços man!

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  4. Você podia digitalizar e disponibilizar pra galera que te acompanha, ou pelo menos digitalizar e vender por até uns 10 reais no mercado livre.
    Eu compraria na hora uma hq sobre um mundo distópico.

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    1. acho q ele n vai fazer isso, pode revelar a identidade dele. Caso acontecesse, eu tbm compraria

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  5. Cara publica na Amazon na versão Pt-Br e gringa. Vai que faz sucesso. O Raiam contratou uns nego para ficar em 1º lugar e tá aí. Fazendo grana com palestras graças a esse subterfúgio de ser o 1º na Amazon. No fivver tem um monte desses freelas que fazem isso.

    Abraços!

    https://kdp.amazon.com/

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  6. Suas histórias beiram a psicose. Fico imaginando se metade do que você diz é verdade. E, se for, você sonha com o pé longe demais do chão.

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  7. Não foi mentindo e sonhando alto que hoje consigo viver com a renda de aluguéis e um micronegócio.
    Cara, eu não sonho alto: com R$200,00 qualquer um consegue publicar 100 exemplares de um livro ou revista; e hoje em dia qualquer um com 50 reais publica digitalmente no Google e Amazon, publicar um livro ou revista não é coisa do outro mundo...
    Como eu disse no texto: levei quase 3 anos nesse projeto, tudo o que eu faço eu planejo com muito tempo de antecedência;
    Psicose? Sabe o que é psicose? Psicose é ficar parado na vida se lastimando por ter nascido pobre e ficar parado no tempo empurrando a vida com a barriga, se juntando com uma mulher qualquer e procriando como coelho, sobrevivendo de salário minimo, atolado em dividas e enchendo a cara com drogas para se aliviar um pouco, coisa que muitos dos meus vizinhos de infância fizeram, eu ao contrário sempre PLANEJEI melhorar minha situação pessoal e financeira, arrisquei e sempre vou arriscar enquanto estiver vivo.
    Psicose é fazer ENEM sonhando que no futuro vai ser bem remunerado por "ter curso superior".

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    1. Não, cara, digo psicose literalmente. Parece que você vive num mundo à parte da realidade, num mundo de fantasia. Sei lá, não estou dizendo isso para ser babaca, mas porque é o que sinto lendo seus textos.

      E até hoje não entendo por que você não busca empresas para trabalhar à distância como programador. Faz um PJ e se lança no mercado. Coisa mais fácil é achar estudantes e empresas querendo um programador freelancer, estas últimas pagando muito bem para otimizarem seus bancos de dados.

      E, porra, escrever um livro é uma coisa, achar de todo o coração que vai vender é outra. Não adianta colocar a culpa nos outros, pois você sabia que a possibilidade de ser um fracasso era imensa. - é assustadora a quantidade de livros lançados semanalmente. E por que caralhos você não vende seu livro online em formato ebook? Se seu livro for realmente bom como você diz ser, garanto que pelo menos a blogosfera vai se interessar.

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    2. Cara, isso foi há mais de 10 anos atrás... Eu era apenas uma ameba sonhadora. Não sou programador, como já disse em outros textos; já tentei vender em formato de e-book minha produção: sem sucesso, sem apadrinhamento e divulgação nada sai do lugar; você já ouviu falar do garoto autista que faz uns rabiscos e publica mas que por ser de família "nobre" sai até na Globo e em manchetes de capa e vende muito? Pesquise por Sávio Cristi na google...

      Você não leu os textos sobre meu negócio? Sou PJ recente, trabalho com TI mas não com desenvolvimento, agora estou prestes a fechar um contrato grande e logo não vou mais ter tempo de vir aqui compartilhar minhas experiências com vocês, experiências essas que você acredita que são apenas psicose... Abraços.

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    3. Aí sim, cara! Espero que dê certo esse trampo e você volte para falar das experiências.

      E continuo insistindo para que você venda esse ebook para a galera da blogosfera. Se os ensinamentos forem tão ricos como você diz ser, com certeza haverá interesse. Abraços.

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  8. Valeu amigo.
    Quem não chora não mama.
    Você saiu do sonho e deu a cara a tapa.
    Tentou, fez, vendeu e cumpriu sua missão.

    O mercado de livros é extremamente difícil. Pra viver de renda de livros é coisa de louco, minoria da minoria. A maioria dos autores brasileiros publicam apenas para publicar mesmo e distribuir o livro para parentes e familiares e amigos. De resto tem que ter muitos, MUITOS contatos, agentes literários, editora boa e amiga e MUITA SORTE.

    Abraço!

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  9. eae gerson, to psotando esse coment da minha primeira instalação do archlinux kkkk to curtindo aprender sobre linux dessa maneira e quero montar minha propria distro. vc as vezes brinca com o arch? abraços

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    1. Já fucei no ArchLinux para testar e até que gostei: leve e funcional, costumo testar as distros mais famosas cada vez que é lançado uma nova interface gráfica, pra treinar configurações e administração na unha uso o Slackware 13.

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  10. Por falar em livros, como você fez para aparecer esse links patrocinados da amazon?

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    1. Tem o programa de afiliados Amazon no site dela, ainda não vendi um livro mas deixo no blog para indicar livros interessantes para os leitores, a maioria deles pode ser encontrada de graça em sites que digitalizam as obras em PDF para estudantes.

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  11. Quando eu tinha 17 anos eu ficava pensando será que um dia terei alguma coisa? Um carro, uma casa etc. Eu era muito pobre, pense na pessoa mais pobre que você conhece, eu era mais pobre que ela. Hoje me dia quando vejo tudo que tenho fico contente demais. Cometi erros e acertos e ter patrimônio de mais de milhão hoje é muito gratificante. Você citou o Paulo Coelho veja a história dele o primeiro livro ficou perdido por anos e só depois de muito tempo ele teve reconhecimento do seu trabalho. Isso pode acontecer com você também. É preciso se libertar da matrix para poder dominá-la isso aconteceu comigo e vai acontecer com você também.

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Comentários liberados, porém, se exagerar e postar discursos de ódio, preconceitos e spam vai levar bam! Att Gerson Ravv

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