Lembrando agora como tive a ideia de montar um micronegócio em casa que até o momento se mostra sustentável e rentável e como nem precisei me preocupar com um concorrente ingênuo.


Alguns anos atrás um casal de velhinhos abriu uma espécie de bazar ou armarinho ao lado de um boteco que fica do outro lado da minha rua.

Eu observava pequenas filas de pessoas com folhas nas mãos, documentos e pastas: fui investigar e vi que era para tirar cópias, ou o famoso xérox...

De vez em quando eu ia até o bazar dos velhinhos: os móveis eram novos, estantes bonitas com mercadorias novas, araras abarrotadas de produtos de papelaria e materiais escolares, porém, tudo criando pó pois os preços eram altos demais se comparados com as grandes lojas especializadas nesses produtos ou as lojas maiores da avenida principal do bairro: ninguém comprava nada lá.

A unica atividade que eu via acontecendo lá era o entra e saí de gente tirando cópias, exames online, boletos ou segundas vias de contas: temos na rua e ao redor várias unidades de saúde pública e privada, escolas, faculdades e pequenos escritórios de microempreendedores de logística, representações comerciais e igrejas.

Observando melhor a loja dos velhinhos percebi que eles usavam uma MULTIFUNCIONAL CASEIRA JATO DE TINTA bem fraquinha e tosca para a atividade de cópias e impressões! 

Cabeça de Bagre LTDA Corporations BR: muita purpurina, blá blá blá, livros de auto ajuda e lucro ZERO!


Vivia dando pau e a placa de NÃO ESTAMOS TIRANDO CÓPIAS HOJE vivia pregada no cavalete da lojinha...

Cada impressão ou cópia levava quase 1 minuto para ficar pronta!  

Eu já tinha estagiado como técnico de impressoras e também na gráfica da subprefeitura do bairro e tinha aprendido tudo sobre o mundo das gráficas e impressões. O valor cobrado por cada exame online impresso, cópia, boleto ou segunda via de contas pelos velhinhos não cobria sequer o valor das folhas A4! Eu senti alí que eu tinha uma grande oportunidade! 

Os velhinhos aposentados pagavam aluguel do lugar, compravam as mercadorias sem CNPJ logo pagavam o preço de varejo, não sabiam configurar a impressora e nem cobravam valores que cobriam a tinta, papel e desgaste da impressora! 

Era tudo muito amador nível master... Eles tinham uma grande oportunidade de gerar receita com lucro mas a falta de conhecimentos impedia isso: cobravam na época o mesmo valor de 0,15 centavos para impressões, cópias mono e coloridas, boletos, exames online, ou seja: estavam era tendo prejuízo! Eu ficava besta de ver aquilo, usar uma multifuncional CHULÉ de JATO DE TINTA para tirar cópias???

Ficaram nessa atividade por 9 meses quando foram assaltados: o velhinho apanhou dos ladrões e a velhinha quase infartou, ficaram frustrados pois além de não conseguirem pagar sequer o aluguel direito, não conseguiam vender as outras mercadorias.

Meu vizinho dono do lugar acabou por levar o carro do velhinho como pagamento dos aluguéis atrasados junto com as mercadorias. Os velhinhos traumatizados foram embora morar no litoral...

Passados alguns meses, recebi o pouco dinheiro que minha falecida mãe deixou (procurem em outras postagens, acho que já contei essa passagem), e com esse dinheiro comprei os equipamentos PROFISSIONAIS para serviços de impressão e cópias e abri na garagem de casa uma espécie de mini-lan-house só com dois computadores onde o foco eram os serviços de impressão e cópias.

Claro que comprei o material deixado pelos velhinhos do meu vizinho cachaceiro: lembro que dei para ele uma garrafa de Red Label fechada original que ganhei de um cunhado (odeio bebidas alcoólicas) e em troca levei para casa vários materiais de armarinhos: em 15 dias vendi tudo pois coloquei preços que estavam 3% mais baixos que as lojas da avenida principal.

Abri meu micronegócio que é um mix de gráfica com assistência técnica com consultoria em TI. 

Hoje mudei o negócio para um canto da minha sala separado por cortinas grossas e atendo através do meu portão social devidamente adaptado para evitar assaltos ou roubos, até câmera com áudio tem, espetina rodeando os muros da casa também. Como sou paranoico, até ergui um abrigo de blocos e chapas de aço caso alguém me aponte uma arma da janelinha: basta pular para o lado e estou protegido.

Faço serviços técnicos de TI, tiro cópias, imprimo boletos, segundas de via de contas, exames online, plastificações, vendo acesso wireless por hora (comprei uma antena poderosa e três repetidores de sinal).

Também vendo cacarecos e outros produtos conforme a época, modinhas idiotas consumistas, data festiva ou clima quente ou frio.

Tenho dinheiro todo dia, estou ainda aprendendo cada vez mais como administrar de forma eficiente o fluxo do caixa, o "marketing" e demais atividades e além de ser muito divertido, só o fato de ESTAR TRABALHANDO PARA EU MESMO não tem preço!!!  

Tenho  parceria com os caras grandes da avenida principal do bairro: indicamos clientes uns para os outros.

Ano passado um cara apareceu aqui na rua em que moro e abriu um negócio exatamente como o meu , mas usou de uma PIROTECNIA inútil: alugou uma casa enorme, fez uma placa gigante, colocou uma TV de Led de 42 polegadas na parede de frente pra rua mas FRACASSOU FEIO: o aluguel comia toda a receita dele, a fiscalização fez ele arrancar a placa e depredaram a TV na tentativa de furtar...

Fora que os preços que ele cobrava também mostrava que o cara apesar de ser técnico de informática formado no SENAI não manjava NADA de impressões, cópias e equipamentos gráficos.

Ele também foi vítima de assalto e encheram a cuca do coitado de coronhadas: como ele não morava na quebrada não tinha o FEELING e MALÍCIA de quem nasceu aqui. Por isso sou tão precavido com esse fator da segurança. 

Em apenas 5 meses o negócio quebrou e ele se mandou. Vários clientes meus hoje dizem que ele era muito ENROLÃO, que só tinha PAPO e 171 na lábia e entregava trabalhos mal feitos ou zuados. 

Para abrir e manter qualquer negócio, não basta apenas dinheiro, vontade e teoria: é preciso SENTIR, saber ler os dados escondidos ao seu redor, rabiscar no papel, calcular, pensar, repensar, levar em consideração fatores que num primeiro olhar parecem que não tem nada à ver com o negócio, tem que ter MALÍCIA.

Próximo texto vou contar como meus superiores reagiram com o meu pedido de demissão: acho que tem gente lá na empresa até agora com uma couve flor piscando na bunda de raiva! 

Att Gerson Rav