Olá amigos do blog! Como estou com dois dias de folga vou postar mais um texto antes do fechamento do dia 10/02/16. 

Falarei hoje como as pessoas que me cercavam quase  mataram a veia empreendedora que eu tinha desde criança. 

Será um post SÉRIO, sem imagens ou figurinhas divertidas. Talvez depois eu coloque alguma publicidade. É um post sério pois nele relato momentos críticos e dolorosos da minha vida.   

Como já disse em post anterior, sou filho de dois operários de fábricas. Cresci vendo meus pais dormindo tarde, acordando cedo, passando o dia inteiro nas fábricas e contando moedas para conseguir sobreviver com seus salários.

SOMENTE O BUSINESS É GREEN, TODA TEORIA É CINZA.  crédito da imagem: https://www.youtube.com/watch?v=oAfRzWAUxH4


Desde a primeira série eu gostava de fazer bonequinhos de durepóx ou de massa de vidraceiro, pintava com guache ou tinta acrílica e tentava vender na hora do recreio ou na calçada em frente de casa; a primeira venda que fiz ainda me lembro: foi um bonequinho que vendi por 50 centavos de cruzeiros novos e fiquei radiante! Mas o tempo passou e eu não queria mais vender bonequinhos toscos pois já estava com 12 anos e queria mais dinheiro mas não teria coragem de virar flanelinha na feira da rua como os outros moleques do bairro.
   

Eu tinha um vizinho chamado Titio Alemão, e esse vizinho tinha uma mecânica (bem precária e pobre) na garagem de seu barraco. Sempre que eu tinha oportunidade gostava de ir lá com outros moleques do bairro para ver as mágicas que ele fazia com motores, parafusos e graxa (ele era considerado o melhor mecânico do bairro que resolvia qualquer problema);  como ele tinha tempo de sobra, Titio Alemão sempre nos dava "palestras"sobre sua visão sobre a vida, trabalho e dinheiro.

Quando eu tinha uns 12 anos me ofereci para ser empregado na mecânica de Alemão e as palavras que ele me falou ficaram gravadas na minha mente e até hoje me lembro desse dia: "Tetinha! Ficou louco? Não foi você que vive dizendo que quer ficar rico? Não é você que quando era mais criança fazia bonequinhos de durepox e vendia na calçada da sua casa? Então, você NUNCA VAI FICAR RICO trabalhando PARA OS OUTROS! Ainda mais pra mim que sou um tremendo FDP e vou te explorar até os ossos."

Fiquei dias com essa frase girando como um catavento na minha mente.

Eu precisava ter uma idéia, algum produto para vender e ganhar mais do que centavos. Lembrei que minha mãe fazia salgados nos fins de semana para a pobraiada que ia tomar café em casa de tarde e todos elogiavam e davam idéia para ela vender e ela sempre dizia: "Nunca! Não estou passando fome!".

Depois  eu pedi para ela fazer algumas coxinhas e quibes para eu vender na calçada ou de porta em porta e eu pagaria pra ela depois e ouvi: "De jeito nenhum! Jamais vou deixar você ser palhaço dos outros saindo por aí vendendo comida! Não estamos passando fome! Que idéia maluca Tetinha!". Fiquei hiper-frustrado! Vejam vocês a mentalidade de pobre: nunca pensam em ACUMULAR RIQUEZA, nunca pensam em ganhar dinheiro de outra forma que não seja como EMPREGADO PAU MANDADO DOS OUTROS.

Como recebi uma resposta negativa da minha mãe, fui procurar ajuda com meu pai: fiz a oferta para ele me comprar alguns chaveiros e relógios que meus vizinhos japoneses traziam do Paraguay (aqueles do post http://gordotetinha.blogspot.com.br/2016/01/windows-ou-linux-qual-o-melhor-sistema.html  e mais uma vez tive de ouvir: "Seu maluco! Não quero que você seja um MARRETEIRO de merda vendendo porcaria na rua! Imagina a vergonha que seria pra gente! Essa é boa! agora tô criando filho pra ser malandro que vende muamba!". 

Fiquei louco da vida com meus pais... Tive vontade de sumir, de morrer, sei lá! Um belo dia estava no sofá (eu não tinha quarto e dormia no sofá) e olhei para minha pequena estante feita de caixotes de feira onde eu guardava minhas revistinhas e gibis acumulados ao longo dos anos e tive uma idéia: já que meus pais não queriam me dar dinheiro ou produtos para vender, então, iria vender minhas revistas e gibis para conseguir o dinheiro inicial para tentar outra coisa mais pra fente!

Hoje eu até entendo esse trauma e tabú que meus pais tinham com empreendimento ou autonomia: minha mãe, filha de ciganos cresceu vendo os pais na instabilidade financeira; não eram desses ciganos Calon que vemos nas ruas mendigando, mas eram ciganos mais evoluídos que trabalhavam mais com música e metalurgia tanto que minha mãe fez questão de que eu aprendesse e tivesse um violino e me ensinou à fazer lamparinas de latão; meu pai, viu o pai dele que negociava erva-mate e era filho de sírios morrer numa briga violenta de rua após discutir com um cliente mal pagador que deu calote em vários quilos de chá.    

Hesitei por uns dias meu plano de sair escondido dos meus pais e vender minhas revistas e gibis com a ajuda da uma amiguinha pois minha irmã frescurenta tinha a mesma mentalidade dos meus pais e morria de vergonha de vender alguma coisa na rua. 


Na época nossa rua era rua de feira todos os domingos e então, num belo domingo de Sol, eu e uma amiguinha de bairro, fomos para o fim da feira e discretamente tomamos um lugarzinho e montamos nossa barraquinha que era apenas dois caixotes cuidadosamente cobertos com uma toalha de crochê (da minha mãe) com as revistas e gibis em cima com os preços. Lembro que o fiscal da feira riu e falou: "Ah Tetinha! Vou deixar vocês quietos porque a mesinha está bonita e vocês não estão fazendo nada de errado ou tomando o lugar dos outros. Boa sorte!"


Foi o dia mais legal da minha infância: vendemos alguns gibis, lembro que vendi um número do Níquel Náusea e quase chorei pois gostava muito dele mas o dinheiro era mais importante no momento!

Somente depois de adulto, trabalhando com TI é que consegui comprar outro exemplar da minha revista preferida. Quase chorei quando recebi em casa! Obs: não era esse o número, era outro que não achei.  Esse aí do link é uma coletânea das tiras. 

Mas a alegria durou pouco: algum vizinho xarope foi correndo dizer para meus pais que estávamos na feira vendendo revistas e lá se foram meus planos de "ficar rico"...

Minha mãe ficou nervosa me xingando de "Ordinário!" e puxou a toalha dela com tudo derrubando minhas revistas, meu pai me chamou de marreteiro, minha amiguinha saiu correndo assustada e fui motivo de piada para os moleques flanelinhas do bairro que ficaram rindo vendo eu catando os gibis e revistas no chão enquanto  meus pais brigavam e sem graça ficavam explicando para as pessoas que passavam e olhavam que não precisavam daquilo, que não passávamos fome, que eu matava eles de vergonha e outras formas SÁDICAS DE CUCKOLDIZAR uma criança que SOMENTE PAIS DE POBRETÕES sabem fazer.

Até hoje não entendo essa mania escrota de famílias POBRES de esculachar, humilhar, rebaixar, DINAMITAR a auto-estima, CUCKOLDIZAR ao nível HARD seus pobres filhos.

Penso que parte do fracasso persistente na vida de pessoas pobre se deve à essa mania escrota dos pais em humilhar seus filhos. Acho que deve ser um reflexo da hierarquia dos ambientes de trabalho: os pais são pau-mandados e humilhados no TRAMPO e quando chegam em CASA: descontam toda a frustração e impotência nos FILHOS. 

Só sei que depois disso passei anos me sentindo um lixo e por conta disso, segui o caminho normal que um pobretão segue: trabalhar como empregado me sujeitando à condições horríveis e remunerações lixo.

Mas hoje, estou virando essa estória: vejo meu micro-negócio crescendo à cada semana, a cada real que ganho fico feliz e agora, estou sonhando e planejando MAXIMIZAR e operar com somas cada vez maiores de investimentos para ter lucros cada vez maiores.

Em breve vou abandonar meu trampo pois a área de TI, ou melhor, ser empregado na área de TI pra mim já deu! Quando estou na empresa e vejo caras de 40 e poucos anos baixando a cabeça para gestores moleques fico louco da vida e penso: não! Não quero esse futuro pra mim! Nem pensar! Nem que eu morra tentando mas eu vou conseguir viver como autônomo.


Por enquanto estou no trampo ainda pois tenho que ajustar e matar algumas pendências que quase me arruinaram do tempo em que era casado ainda, mas graças à minha vontade estou superando. 

O topo da montanha é longe, mas estou subindo, devagar mas estou subindo, pode ser que eu caia, pode ser que eu nunca alcance o topo, porém, poderei morrer em paz durante a queda pensando: pelo menos tentei e não passei a vida rastejando no chão como um verme que come as migalhas misturadas com poeira.

Vou pedir demissão sem dó e não estou nem aê para o FGTS pois tenho planos para ganhar muito mais que essa esmola que na verdade foi roubada do meu próprio bolso.

Vou postar mais a evolução do negócio e os ganhos. Aguardem.

Att Gerson Rav